O Exército de Israel bombardeou a cidade do sul do Líbano com 11 ataques em poucos minutos, resultando na morte do prefeito local, entre outras vítimas.
A série de bombardeios gerou condenações de autoridades libanesas e internacionais, enquanto os militares israelenses afirmam que os alvos eram instalações do Hezbollah.
O governo do Líbano anunciou que o prefeito de Nabatiyeh, Ahmad Kahil, está entre os seis mortos em uma série de bombardeios do Exército de Israel que atingiram a cidade do sul do país nesta quarta-feira. Os ataques, que atingiram um prédio da administração municipal durante uma reunião de representantes políticos, também deixaram pelo menos 43 feridos.
Em um comunicado, o Ministério da Saúde libanês informou que os bombardeios afetaram dois prédios: o da prefeitura e o da união de municípios. O número de mortos é preliminar, pois socorristas continuam buscando sobreviventes entre os escombros.
A governadora de Nabatiyeh, Howaida Turk, descreveu o ataque como um "massacre", ressaltando que o prefeito e sua equipe estavam reunidos para discutir a gestão da crise. Equipes de resgate ligadas ao Hezbollah confirmaram que o prefeito estava entre as vítimas.
A ofensiva provocou forte reação da cúpula política libanesa. O primeiro-ministro Najib Mikati condenou os ataques, acusando Israel de mirar deliberadamente a reunião municipal. “Condeno a nova agressão israelense contra civis em Nabatiyeh, que visou intencionalmente uma reunião do conselho municipal que tratava de serviços e socorros para a cidade”, declarou Mikati.
Testemunhas relataram que dos 11 bombardeios na cidade, nove ocorreram em um intervalo de apenas 30 minutos, criando uma "cintura de fogo" na área. Os ataques destruíram o prédio da prefeitura e um centro médico próximo, com dois médicos entre os mortos.
Israel, por sua vez, defende que os alvos eram uma rede de infraestrutura do Hezbollah, incluindo bases militares e depósitos de armas. Em nota, o comando militar israelense afirmou que "caças da IAF, em cooperação com o Comando Norte, atacaram dezenas de alvos terroristas do Hezbollah na região de Nabatiyeh, que o grupo armou perto de estruturas civis, utilizando a população como escudo humano".
Imagens da AFP mostraram colunas de fumaça subindo de Nabatiyeh após os ataques. No sábado anterior, bombardeios israelenses já haviam devastado o principal mercado da cidade, ferindo oito pessoas.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que os ataques também atingiram uma biblioteca e um shopping center. Jeanine Hennis-Plasschaert, coordenadora especial da ONU para o Líbano, criticou o ataque, chamando-o de "violação inaceitável do direito internacional" e exigiu proteção para civis e infraestruturas.
Além disso, um bombardeio atingiu o bairro xiita de Haret Hreik, em Beirute, logo após o Exército israelense recomendar a evacuação da área. As forças israelenses afirmaram que o alvo era um depósito de armas do Hezbollah e que o objetivo de sua ofensiva é afastar o grupo das áreas de fronteira e acabar com os lançamentos de foguetes, para permitir que os cerca de 60 mil israelenses deslocados possam retornar para casa.
Nesta quarta-feira, o Hezbollah anunciou que havia lançado um míssil teleguiado contra um tanque israelense na zona de fronteira. O vice-líder do grupo, Naim Qasem, advertiu que o Hezbollah realizaria ataques em "todo" Israel e insistiu que a única solução para a guerra no Líbano é um "cessar-fogo". No entanto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descartou um cessar-fogo unilateral, alegando que isso não impediria o reagrupamento do Hezbollah na fronteira.
Desde o início da intensa campanha aérea de Israel em 23 de setembro, pelo menos 1.356 pessoas foram mortas no Líbano, segundo dados do Ministério da Saúde libanês, embora o número real possa ser ainda maior.