Um homem condenado pela morte de um empresário no Maranhão afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que teria mantido encontros com integrantes do grupo político do governador Carlos Brandão (MDB) e levado valores em dinheiro ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual.
Segundo o depoimento, Gilbson Cutrim, condenado a 13 anos de prisão pelo homicídio de João Bosco Sobrinho Pereira, relatou à PF que teria realizado entregas de dinheiro relacionadas a um suposto esquema de corrupção. As declarações fazem parte de uma investigação que passou a envolver suspeitas que vão além do homicídio.
O caso teve origem em um homicídio ocorrido em agosto de 2022, em São Luís. Segundo as investigações, a vítima teria sido morta durante um encontro relacionado a uma disputa envolvendo valores de um suposto esquema de propina.
Em uma nova versão apresentada à PF, Gilbson afirmou que teria trabalhado em negócios ilícitos ligados à família Brandão e que teria levado dinheiro ao governador. Ele também declarou que teria recebido pagamentos posteriormente para manter silêncio sobre o caso. A PF investiga essas declarações e outros elementos relacionados ao episódio.
Carlos Brandão nega categoricamente as acusações. Em manifestação divulgada à imprensa, o governador afirmou estar indignado com a alegação de que seria chefe de uma organização criminosa ou que teria recebido valores de um criminoso dentro do Palácio dos Leões.
Brandão também questionou a credibilidade do depoimento, destacando que Gilbson é condenado por homicídio e teria apresentado versões diferentes sobre o caso ao longo da investigação.
O sobrinho do governador, Daniel Brandão, que também aparece nas investigações, igualmente nega qualquer envolvimento e afirma estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A investigação ganhou novos contornos após decisões judiciais envolvendo integrantes do grupo e a apuração de possíveis tentativas de obstrução. O caso está sob análise da Justiça e as acusações ainda dependem da apuração dos elementos apresentados pela Polícia Federal.