Mais de 65 mil votos colocaram Paulão na Câmara dos Deputados. O resultado parecia definitivo. O mandato estava garantido e, para muitos eleitores, a eleição havia terminado ainda em 2022.
Mas a política não terminou quando as urnas fecharam. Sem nova eleição, sem renúncia e sem disputa direta entre candidatos, uma decisão da Justiça Eleitoral alterou a matemática da eleição e, consequentemente, o destino de uma cadeira federal em Alagoas.
A mudança começou no processo envolvendo João Victor Loureiro Pessoa Catunda, candidato a deputado federal que recebeu 24.754 votos. Após julgamento, a Justiça Eleitoral decidiu pela cassação da candidatura e pela anulação dos votos recebidos.
Com a retirada desses votos do cálculo geral, foi necessário refazer toda a totalização da eleição para deputado federal no estado.
E é aqui que entra uma das regras menos conhecidas por muitos eleitores: para deputado federal, não basta apenas ter votação individual alta. O sistema proporcional leva em conta:
Quando os votos anulados saíram da conta, os cálculos mudaram.
Mesmo com votação expressiva, Paulão dependia da composição matemática do partido e do quociente eleitoral. Com a nova recontagem, a vaga passou a ser redistribuída dentro das regras do sistema proporcional, beneficiando Nivaldo Albuquerque.
Paulão não perdeu a cadeira por derrota direta nas urnas, mas porque a nova totalização eleitoral alterou a distribuição das cadeiras federais em Alagoas após a anulação dos votos de Catunda.