EM ALAGOAS, DERROTAS MUDAM PALANQUES, MAS RARAMENTE APOSENTAM ESTRUTURAS DE PODER

Movimentações de JHC reaproximam nomes ligados a João Lyra e reacendem uma dinâmica histórica da política alagoana

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Em Alagoas, derrotas mudam palanques, mas raramente aposentam estruturas de poder
JHC passa a se aproximar de nomes que estiveram ao lado de João Lyra e reacende uma velha dinâmica da política alagoana: grupos tradicionais raramente deixam o jogo.

Nos bastidores políticos de Alagoas, a movimentação recente de JHC é vista como mais um capítulo de uma lógica antiga da política local: derrotas eleitorais raramente encerram grupos de poder. Na prática, essas lideranças se reorganizam, mudam de partido, trocam de palanque e seguem presentes em novas disputas.

Poucos episódios representam tão bem essa lógica quanto a eleição de 2006, quando João Lyra entrou na disputa cercado por forte expectativa de vitória. Com apoio de diferentes lideranças regionais e boa avaliação nas pesquisas durante parte da campanha, o cenário indicava vantagem confortável ao longo da corrida eleitoral. Levantamentos da época chegaram a apontar possibilidade de vitória ainda no primeiro turno, segundo pesquisas divulgadas por institutos como o Ibope.

A reta final, no entanto, mudou completamente o quadro. Teotonio Vilela Filho cresceu na fase decisiva e venceu a eleição ainda no primeiro turno, transformando o favoritismo anterior em uma das derrotas mais lembradas da política recente de Alagoas.

Quase duas décadas depois, enquanto Renan Filho fala em construção coletiva para 2026, JHC acelera articulações no interior. O movimento é interpretado por aliados e adversários como uma tentativa de ampliar presença política antes da definição do cenário eleitoral.

Nesse processo, nomes que estiveram politicamente próximos de João Lyra voltaram a aparecer ao lado de JHC.

Célia Rocha oficializou apoio ao projeto político do ex-prefeito após filiação partidária. Areski Freitas também reapareceu em registros públicos ao lado de JHC, assim como Gilvan Barros, que voltou a circular em articulações no interior do estado.

Os encontros foram registrados em eventos partidários e veículos locais, reforçando a leitura de que antigos grupos políticos seguem ativos no novo tabuleiro eleitoral.

Entre esses nomes, um segue chamando mais atenção nos bastidores.

Celso Luiz Tenório Brandão foi vice na chapa de João Lyra em 2006 e, anos depois, apareceu entre os nomes citados nos desdobramentos da Operação Taturana, investigação que revelou um esquema de desvio de recursos na Assembleia Legislativa de Alagoas.

O episódio permanece como um dos mais sensíveis da política recente do estado.

Renovação no discurso e alianças tradicionais

JHC construiu parte da sua trajetória com discurso de renovação política e nova geração. Sua força eleitoral em Maceió ajudou a fortalecer essa imagem. Mas uma disputa estadual tem regras diferentes.

No interior de Alagoas, prefeitos, ex-prefeitos e grupos políticos tradicionais continuam tendo influência importante. Aliados tratam a estratégia como algo natural dentro do jogo eleitoral. Já críticos veem uma aproximação com práticas antigas da política local.

O jogo continua

Na política alagoana, derrotas raramente encerram grupos de poder. Elas reorganizam alianças, reposicionam lideranças e apenas aguardam uma nova oportunidade para voltar ao centro das decisões.

Em 2026, parte dessas velhas cartas voltou novamente ao tabuleiro político.

Fontes consultadas: Ibope, Congresso em Foco, Agência Brasil, registros públicos eleitorais de 2006, arquivos de imprensa e veículos locais de Alagoas.